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Revisitando o passado

Foto do escritor: Fabio SilvaFabio Silva
Estrada bifurcada, representando a escolha entre viver no passado ou seguir adiante com esperança.
DALL·E 2025-02-21 21.18.11 - A forked road representing the choice between living in the past or moving forward with hope. One path leads to a nostalgic, faded landscape symbolizi

Quando paramos por um instante para pensar, o que buscamos reviver indica a condição em que nos encontramos.


Para que buscar algo em uma caixa de quinquilharias, se não atribuirmos utilidade a elas?


Gosto de ter algumas ferramentas à mão, materiais e outras coisas que já me ajudaram a fazer consertos em momentos excepcionais—quando ocorreram acidentes ou o comércio estava fechado.


A partir dessa introdução, o que a Palavra de Deus nos revela? Observemos dois pontos de vista diferentes sobre o mesmo assunto.


O Passado Como Referência: O Filho Pródigo e Jeremias


Vejamos a história do filho pródigo em Lucas 15:11-32, e os versículos em Lamentações de Jeremias 3:21-24.


Ambos, em algum momento da vida, buscaram no passado algo para seguir em meio à crise. Um cavou com suas próprias atitudes o momento em que estava. O outro foi cativo de uma circunstância que não escolheu, mas que fazia parte da vontade de Deus para um povo obstinado a pecar.


O Que Podemos Aprender com o Passado?


É comum lembrarmos de coisas ruins que nos ocorreram. Quando tudo vai bem, olhamos para o futuro, imaginando que não haverá revés. Isso é perigoso. O "louco" da parábola (Lucas 12:20) confiava em seus bens materiais, mas estes podem desaparecer por más decisões, crises globais ou simplesmente pela morte (Mateus 6:24-26).


Quando as coisas vão mal, o pessimismo tenta nos barrar e o saudosismo tenta nos alegrar. Nenhuma dessas opções muda as circunstâncias (Números11:4-28, 13:30-33, Mateus 6:26-29) .


Nesses cenários, os dois personagens revisitam o passado, apoiando-se em conhecimentos e na fé no Único capaz de transformar uma condição de impossibilidade (Marcos 9:23).


Escrevendo sobre esse tema, lembrei de uma pregação que ouvi no YouTube. Falava sobre como as crianças enxergam valor em coisas que nós, adultos, já não percebemos. Dias atrás, meu sobrinho estava ansioso para me visitar no trabalho—algo que, para mim, muitas vezes é um peso. Da mesma forma, lembro da alegria que eu sentia quando criança, ao ver meu pai chegando com uma simples bala; ou, também, quando ia ao serviço dele para apenas ter tempo com ele. Isso me faz entender por que delas é o Reino e o perfeito louvor (Mateus 21:16), e buscando ser igual a elas (Mateus 19:14,30), venhamos a desejar por momentos simples na presença e confiança do venerado Senhor, nosso Pai.


Guardamos Coisas Úteis ou Inúteis?


Fato é: nossa visão define nossa esperança. Só esperamos algo de quem confiamos (1Samuel 8:4-9).

Por isso, guardar coisas inúteis é tolice. Lembro de um parente distante que guardou uma foto de um morto no velório. Desnecessário. Por isso, não aceito imagem de Jesus em uma cruz, a não ser que ela esteja vazia, pois ressuscitou.


Vamos analisar o caso do filho pródigo.


No momento de crise, ele lembrou de quem poderia ajudá-lo, baseado nos atributos que conhecia bem. Ninguém busca ajuda de quem tem menos probabilidade de resolver o seu problema.


Ele pediu sua herança ao pai (o que era ofensivo, pois significa desejar sua morte). Era materialista, assim como seu outro irmão. A diferença é que ele foi "frio", enquanto o irmão foi "morno"—como muitos de nós, que não definimos a quem servimos (Apocalipse 3:15-16).

Sempre estaremos servindo a algo ou alguém. O que muda é o tratamento dos senhores—se será justo ou não (Mateus 6:24).


O pai não o impediu de ir. A parábola mostra Deus em sua essência. Ele nos deu livre arbítrio, mas aguarda o filho "morto" retornar (Deuteronômio 30:19-20).


O Que Jeremias Guardava do Passado?


Diferente do filho pródigo, Jeremias temia a Deus, mas isso não o impediu de ver o juízo divino sobre seu povo, cativo por causa da idolatria.


Diante de catástrofes, pandemias e crises, deveríamos refletir sobre nossa condição e nos humilhar, em vez de sermos arrogantes e obstinados (2 Timóteo 3:1-5).


Jeremias fez o contrário: baseou-se nos atributos de Deus e confiou que Ele livraria Seu povo.


Por isso, esperou na esperança dAquele que não pode mentir (Hebreus 6:13-20).


Deus, sendo Senhor, faz e age como quer para levar Seu povo aonde deseja. Jeremias, pela intimidade que tinha com Ele, compreendeu as causas da situação e, por ser profeta, sentiu as dores da separação de Deus devido à rebeldia da nação.


Todavia, em ambas as histórias, Deus tinha o controle de tudo, e o final seria a realização de Sua vontade—seja na dor da cruz suportada por Cristo para nossa reconciliação (Isaías 53:10), seja na história de Jeremias ou do filho pródigo.


O passado deve ser visitado, como fazemos nas férias: passamos alguns dias em um lugar especial para voltarmos revigorados para dias árduos. Lembre-se: visitado, e não para permanecer nele.

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